O ciclo de vida das roupas. O fim (ou recomeço)!

E quando as roupas morrem? O fim (ou recomeço) do ciclo de vida das roupas…

Quando comecei a pensar sobre essa questão do ciclo de vida das roupas, me dei conta da parte mais negligenciada deste processo: o fim delas. Toda a pesquisa que fiz em torno deste tema me levou a seguinte reflexão: o que será que acontece com as roupas que eu já doei ou joguei fora na vida? Sim, porquê meia furada e calcinha velha a gente não doa, né?

E aí comecei uma busca por instruções sobre como reciclar. Isso é extremamente importante no meu trabalho como consultora de estilo, pois existe uma etapa exclusiva de revitalização do guarda-roupas em que tiramos da frente o que não se usa mais ou o que já está na hora de dizer tchau porquê não tem mais condições de uso.

revitalização guarda-roupas

Bom, voltando as minhas buscas…cheguei a esta constatação: no Brasil não temos reciclagem de tecido para o consumidor final! Eu sinceramente achava que poderia descartar peças que já não têm mais condição de uso junto com o lixo orgânico que elas iriam se decompor. Acontece que dificilmente uma roupa é feita 100% de material natural. Mesmo peças 100% algodão podem ter passado por procedimentos químicos para ganhar cor, por exemplo. Sem falar dos aviamentos como botões e zíperes que são de metal. Tudo isso pode prejudicar o solo e o meio ambiente.

Depois de um breve momento de choque (sim porquê eu fiquei me perguntando “tá, então o que posso fazer?”), comecei a pesquisar e encontrei várias pessoas e grupos (maravilhosos) que estão olhando pra isso e sugerindo atitude alternativas.

SOMOS RESPONSÁVEIS POR NOSSAS ROUPAS DURANTE TODA SUA EXISTÊNCIA!

Com base nessa pesquisa, resolvi listar algumas atitudes mais sustentáveis que podemos ter na moda:

  • Nem sempre doar é a única (e melhor) alternativa: durante a revitalização do guarda-roupas dos meus clientes, usamos os seguintes critérios de separação: roupas para vender, roupas para doar, roupas para ajustar, roupas que já eram.
    • Roupas para vender são aquelas muito boas e maravilhosas, mas que por alguma razão já não cabem na sua vida (daí, podemos vender no brechó do bairro ou até mesmo através do Enjoei) e ainda levantar uma graninha;
    • roupa pra venderRoupas para doar são aquelas em boas condições e sem estragos irreparáveis. Arrume o que tiver que arrumar antes de doar e lembre-se de limpar as peças. Doe para pessoas, igrejas ou instituições conhecidas. Se não souber, pergunte para amigos e parentes. O que se quer é doar, por isso, escolher com responsabilidade é importante para que as suas peças não sejam enviadas para aterros sanitários. Não é porque você está doando que a responsabilidade não é mais sua!
    • roupas para doarRoupas para consertar: tem coisas que a gente não usa e estão pegando pó simplesmente porque precisam de ajustes. Falei sobre isso neste post aqui.
    • Roupas que já eram são aquelas sem nenhuma condição de uso. E também as mais complicadas de se desfazer. A Política Nacional De Resíduos Sólidos (PNRS) diz que nós, consumidores, somos responsáveis por dar fim adequado às roupas e sapatos e esse fim adequado não é jogar a peça no lixo convencional. O ideal é procurar a marca produtora daquela peça para saber se ela possui uma logística reversa instituída na empresa. Algumas marcas brasileiras, como a Havaianas, recolhem os produtos de volta com a intenção de recolocá-los no ciclo de produção. Apesar de, na teoria, a PNRS responsabilizar as empresas por seus produtos de pós-consumo, na maioria dos casos isso não acontece e é ai que sua roupa ou sapato sem condição de uso deve ser enviado para um Ponto De Entrega Voluntária (PEV) ou EcoPonto – Estação de Entrega Voluntária de Inservíveis. Isso na cidade de São Paulo. Para informa-se sobre a coleta na sua cidade, ligue para a prefeitura local. Uma vez entregue no ponto de coleta, a prefeitura será responsável por dar o destino correto a esse produto.

ecoponto_são pauloEcoponto Água Branca – São Paulo

  • Slow Fashion: não é somente sobre não comprar de fast fashion (que muitas vezes não respeita direitos trabalhistas e o meio ambiente), é sobre comprar menos. Se você tiver menos, não contribuirá tanto com a produção do lixo têxtil. Afinal, quando você abre o armário, quais peças você realmente usa? Se você (e eu), usamos 50% de tudo o que temos é muito. Tudo bem, às vezes rola um “bode” das roupas. Quem nunca? Nesse caso, dê uma pesquisada e conheça iniciativas como a da Roupateca e da Lucidbag, bibliotecas de roupas em que você aluga peças por alguns dias. Uma alternativa muito bacana pra sempre ter peças diferentes, sem ter que necessariamente precisar comprá-las. Você pode usá-las por um tempo e depois devolver.

Roupateca_São PauloRoupateca (São Paulo) @reprodução

  • Clothing Swap: o produto mais verde é aquele que já existe. Li isso no post do blog Um Ano Sem Lixo e pensei “é verdade né?”. Afinal, ele já foi produzido. Por isso acho bacana o conceito de Clothing Swap, que é muito praticado na Europa, EUA e Austrália, e tem ganhado adeptos por aqui. O objetivo é promover encontros em que os participantes renovam seu guarda-roupa, trocando, entre si, roupas que não usam mais. O Projeto Gaveta promove esses eventos. As meninas da Roupa Livre também utilizam esse conceito através de conteúdo e eventos de trocas e, inclusive, estão com um projeto maravilindo (que já apoiei) para a criação de um aplicativo que promoverá trocas, tipo um Tinder das roupas. Não é demais? Pra apoiar clique aqui e não demore, pois as contribuições vão somente até o dia 17/12/2015. Se o projeto for pra frente, o app será de graça para todos! Ah, uma outra forma de fazer o Clothing Swap é você mesma organizar o seu próprio bazar de troca com suas amigas. Pense que legal!

projeto gaveta @veja são pauloEvento Projeto Gaveta @reprodução Veja São Paulo

  • Upcycling: nada mais é do que a reciclagem das roupas, que podem se tornar outros artigos, como objetos de decoração e acessórios (ou ainda, outras peças de roupas). A diferença aqui é o design. Existem muitas lojas bacanérrimas que só vendem upcycling, ou seja, os estilistas repensam a construção de uma nova peça de acordo com o tecido disponível. Vale muito a pena começar a praticar esse modo inteligente de consumir. Algumas das marcas são: Insectashoes | Reformation (é gringa, mas entrega no Brasil) | Gabriela Mazepa (do Re-Roupa) | Comas

reformation x nastygal (reprodução)Reformation x Nastygal @reprodução

Ah, conhece mais alguma marca bacana para indicar? Tem alguma outra dica de como descartar/reciclar roupas? Gostou da matéria? Escreve aqui nos comentários.

Vale lembrar! Se você já tem tudo que precisa no seu guarda-roupas: não compre mais. Não comprar é, muitas vezes, o ato mais sustentável que você pode tomar.

 

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