Você conhece o ciclo de vida das suas roupas?

Ciclo de vida das roupas? Oi?

A pergunta acima pode parecer estranha, mas nos meus devaneios eu fiz um paralelo que acredito que faça sentido. A gente não aprendeu na escola que o ciclo da vida é: nasce, cresce, reproduz e morre? Pelo menos foi assim que eu aprendi o ciclo de vida das plantas, dos animais e dos seres humanos.

ciclo

No meu trabalho como consultora de estilo eu tenho aprendido cada vez mais que as roupas também têm vida!

Pensa só o tanto de coisa que acontece até que uma roupa chegue à você, toda a cadeia produtiva. Pensa só na memória afetiva que algumas peças do guarda-roupas têm por terem vivido momentos importantes com você: um encontro especial, uma entrevista que mudou seu rumo profissional, uma viagem inesquecível, o batizado de um filho, etc, etc. Se isso não é vida, não sei mais o que pode ser…

lari estilo Olha eu no colo do papi com a mami ao lado, só no estilo!

Onde eu quero chegar? Que as nossas roupas também têm um ciclo de vida! E isso tem impacto em nossas escolhas e no meio ambiente.

Pensando nisso, a partir desta semana farei uma série de quatro capítulos (tá mais pra minissérie né?) falando sobre esse ciclo.

No episódio de hoje,como as roupas nascem!

Esse não é um artigo científico, é apenas um ponto de vista, então, quem está lendo pode concordar ou discordar, pode opinar e escrever o que pensa a respeito…

O texto é um pouco grandinho, mas acredite, vai valer a pena!

I told youLá na Pré-História, os primeiros humanos que habitavam a Terra vestiam-se para proteger-se do frio e das “armadilhas” da natureza de seu tempo e usavam basicamente o couro dos animais.

No entanto, muuuuuito tempo depois, lá pelos anos 500 A.C., a humanidade trocou sua existência caçadora-coletora por um modo de vida mais sedentário e os trajes das antigas civilizações como os assírios, os egípcios, os gregos e os romanos tornaram-se modos de expressão cultural e artística.

Agora corta e pula para meados do século XIX, período em que os historiadores consideram o ponto de partida do que hoje chamamos de moda. Foi nesse momento da história que os que podiam pagar, ou seja, a nobreza e a burguesia, passaram a ser receber a “prescrição” do trabalho de costureiros ou estilistas de moda.

Desde então, essa indústria só vem crescendo e se desenvolvendo. E, mais recentemente, num ritmo frenético e, muitas vezes, desenfreado, principalmente com a explosão do fast fashion a partir dos anos 2000.

fast fashion

Por isso,avaliar como nascem suas roupas é importanteDe onde elas vêm? Quem as faz? Em que condições elas nascem?

Em linhas (muito) gerais, se formos do princípio, elas nascem da natureza vegetal ou animal a partir dos elementos que tornam-se matérias-primas para os tecidos naturais como algodão, seda, linho e lã. Ou ainda, nascem do petróleo e das indústrias que fornecem os insumos para a confecção dos tecidos sintéticos como nylon, poliéster, lycra, viscose e tantos outros.

Essas matérias-primas são usadas por costureiros e estilistas que criam, desenvolvem e produzem as roupas. Digamos que essa seja a “gestação”, porque de fato, até que uma coleção seja lançada nas lojas, muitos passos são geridos até que esse “bebê” nasça (por isso os estilistas comemoram tanto nos desfiles).

desfile 3

Acontece que, se você escolher as peças fazendo as perguntas citadas acima e as respostas forem: não sei de onde as minhas roupas vêm, não sei quem as faz e não sei em que condições elas nascem, hummm, melhor parar e pensar!

O que é melhor: um “bebê” gerido com amor e respeito ou o contrário?

Tem uma listinha que pode ajudar a elaborar essas perguntas. Ela foi feita junto com colegas também consultoras de estilo num workshop da maravilhosa e ecologicamente correta Flávia Aranha, uma das estilistas brasileiras referência neste tema:

  1. Cheque na etiqueta a origem da peça. Se você ver que ela foi feita na China, Índia, Bangladesh, desconfie. O trabalho é escravo e as condições péssimas! (ps: no Brasil também tem trabalho escravo viu? Vai lá no Brás e Bom Retiro).
  2. Avalie o preço x composição das peças (matérias-primas boas, principalmente os tecidos naturais, custam $$$). Se está muito barato, alguém está pagando o preço. Quem?
  3. Qual o tamanho da produção: pequena, média ou gigantesca? Normalmente as gigantes não dão conta de “gerir” com amor.
  4. Qual o valor social dessa peça: têm comunidades, agricultura familiar ou ongs envolvidas na produção?
  5. Qual o impacto ambiental desse produto? (manipulação industrial demais? viajou milhares de quilômetros pra chegar até você?)
  6. Quanto essa peça vai durar? É o famoso custo x benefício. Roupa ruim e mal feita dura muito menos, daí você compra de novo, e de novo…
  7. A produção é interna ou terceirizada? Não se pode generalizar, mas quando se terceiriza se perde o controle.
  8. A peça é feita à mão/produzida artesanalmente?

No Brasil, a estimativa é de que, só na confecção, sejam produzidas cerca de 175 mil toneladas/ano de resíduos têxteis. Desse total, apenas 36 mil toneladas são reaproveitadas na produção de barbantes, mantas, novas peças de roupas e fios. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (ABIT), só na região do Bom Retiro (SP), diariamente são descartados, inadequadamente, 12 toneladas de resíduos têxteis (retalhos) produzidos por mais de 1,2 mil confecções.

resíduo têxtil

Agora multiplica isso no mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bom, vamos lá…respira! O primeiro passo é se conscientizar. Depois, uma conquista por vez. Pesquise antes de comprar. Dê uma fuçada na Internet, olhe o aplicativo Moda Livre (um ranking das empresas que mais e menos exploram trabalhadores e causam impactos na natureza) e, principalmente, pergunte. Afinal, você tem direito de saber o que está comprando, quem é esse “bebê” que você está levando pra casa?

moda-livre

Eu amo moda e estilo e acho que existem várias formas de usar esses recursos para comunicar quem somos, com o menor impacto possível a nossa casa chamada mundo. Esse é o meu desafio enquanto profissional e cidadã!

Na próxima semana, como as roupas “crescem”!

Um beijo <3

Lari

 

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